Cidadão Russo
Em meados do século XIX, na antiga Rússia czarista, andava pelas ruas de Petesburgo um senhor distinto, de fala elegante, sorriso largo mas, de convicções um tanto quanto lerdas. Defendia sempre o Czar a quem chamava: meu senhor. Mas, apesar de sua fidelidade, foi atingido por diversas medidas imperiais que diminuíram seu patrimônio, libertaram seus servos, condenaram seu filho ao trabalho forçado, e mesmo assim ele repetia: " se preciso for, vou à guerra defender meu senhor." Este é um exemplo típico de transferência de culpa, no qual o sentimento de inferioridade é arremessado para um modelo de indivíduo que seja: poderoso (para punir quem o acusa), desumano (para vingar seus desafetos) e arrogante (para disfarçar suas fraquezas). Assim, esse cidadão russo de aparência digna e aspecto cordial, escondia um enorme medo de não conseguir ser igual aos outros. Ou seja, sentido-se menor, buscava oprimir o outro, para com isso, nivelar todos por baixo.
